FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Reprovar é preciso - 03/01/18


Pessoalmente, nunca entendi o sentido lógico de formação, de educação da chamada “progressão automática”, onde uma resolução do Conselho de Educação, em vigor desde 2012, proíbe a reprovação de alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental. No entanto, uma decisão de desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal alterou, há poucos dias, essa resolução. A decisão vale para todas as instituições do DF.


A doutora Michelle de Freitas Bissoli, em a Educação e desenvolvimento da personalidade da criança: contribuições da Teoria Histórico-Cultural, levanta pontos cruciais para o entendimento da necessidade das crianças desde cedo serem educadas, conduzidas a um desafio permanente de crescimento cognitivo, como instrumento de modificação da própria sociedade, através da formação de sua personalidade e amadurecimento social.


Na infância se estabelecem os primeiros níveis da formação da personalidade do indivíduo. O psicólogo Alexei Leontiev afirma que são nos primeiros anos de vida que a criança aprende valores, normas de conduta, ou seja, ela precisa entender o que são os bônus e ônus, em seus processos de conquista, pelos esforços e buscas. Por isso, poderemos afirmar que a personalidade de cada um resulta de sua biografia: das suas condições de vida e principalmente educação, em seu sentido mais amplo. Ora, se assim de fato for, como essas crianças, exatamente neste período de formação, irão reagir às “facilidades” que encontram, em premiação a sua falta de reais conquistas? Por essa razão o processo educativo sistematizado, que acontece na escola fundamental assume importante papel. Lamentável que não exista este comprometimento nas políticas públicas de estados e municípios. Os políticos não estão realmente preocupados, em geral, com o futuro da sociedade em si, mas, sim, dos interesses pessoais e dos seus.


Poderemos assim auferir que a educação, a partir da mais tenra infância, gera papel preponderante no desenvolvimento dos modeladores futuros da sociedade. E assim vamos humanizando o futuro adulto a bem vivenciar as suas frustrações, fazendo-os em agentes conscientes de repercussão positiva diante dos seus ganhos e/ou perdas. De fato, a atividade educativa mais ampla, de compreensão de valores sociais, tem na família e na sociedade a maior tarefa. A escola, no entanto, com suas políticas pedagógicas cumpre elaborar a aprendizagem dos conteúdos da cultura, formada pela humanidade ao longo da História e, a partir dela, promover o desenvolvimento das capacidades da criança e de sua forma singular de ser e de atuar socialmente, como valores de cidadania e inclusive de respeito às diferenças, defende a doutora Bissoli.


José Medrado
Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

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