FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Maternidade Alheia


Espírito: A. F.

Médium: Maria Sílvia

Psicografado: Em 18/08/2013 - Associação Espírita Pão e Luz - Camaçari - Bahia.


Maternidade Alheia


Não escolhestes a solidão dos verdadeiros amores! Nem bem despertastes para a vida, aqueles que te tutelaram por caridade os primeiros anos, agora exigem de ti pagar-lhe os dias que gastaram ao teu lado. Não sabem eles que fostes tu a grande oportunidade de resgaste que a vida lhes deu, restituindo-lhes aos braços à feição da filha alheia. Acreditam ter feito muito por ti, e agora cobram a migalha que ti dispensaram. Jogam-te na sarjeta a exigir-lhe o sustento, explorando para isto a tua pureza sublime.


Maculam a tua alma na sanha mesquinha daqueles que rastejam no primarismo dos sentimentos. E tu pobre criança que alimentara sonhos de uma adolescente, agora completamente só, se vê em braços estranhos que pouco a pouco arrancam-lhe a inocência. Equivocados e embrutecidos cada vez mais rastejam na própria lama aqueles que violaram o jovem coração. Seguistes em frente, assinalando cada dia como um grande desencanto, um grande desengano a que ti enlaçastes por falta de opção. Os sonhos de menina moça ficaram lá atrás substituídos pela mágoa da própria vida. Internada naquele lupanar, eras cobiçada por todos que te disputavam a beleza e a jovialidade cheia de encantos. Ninguém porém com quem deitastes jamais buscou conhecer-te os sentimentos e sonhos, apenas fostes para eles o sonho que desejavam.


Um dia te reconheces-te diferente, parecia que o mundo inteiro pesava-lhe a cabeça. Doí-lhe o corpo da noite passada, e sem nenhuma resistência resvalas ao chão. Ao despertar estavas na rua com os pequenos pertences ao lado. Pouco tempo passara e entendestes a situação: existia em ti uma nova vida a pedir-lhe amor e compaixão. Tocas-te o ventre levemente e imensa alegria te preencheu o ser. Irias ser mãe, o teu corpo dizia! Quem era o Pai, tu não sabias. Mas que importava, ninguém a tinha amado e nem tinhas amado a ninguém. Agora tinhas algo de ti, um filho, um filho só teu. Alguém que te amaria e a quem tu já amava e queria.


Hoje olhando o filhinho nos braços, bendiz o dia que ele arrancou-te da casa que vendia prazeres. Foi ele, o filho amado, que te levou a caminho humilde e seguro te garantindo o sustendo em um outro ambiente. Embala-o feliz e agradece a Deus a dádiva da maternidade, não importando a forma como ela se apresentou.


A. F.
18/08/2013

José Medrado - Editorial

Cristina Barude - Psicografia

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